Vida Pacífica: Administrador Municipal do Calumbo ausculta moradores para reorganização da urbanização

Vida Pacífica: Administrador Municipal do Calumbo ausculta moradores para reorganização da urbanização

O Administrador Municipal do Calumbo, Francisco Tchipilica, manteve nesta quinta-feira, 5 de Fevereiro, um encontro com os moradores da Urbanização Vida Pacífica, localizada no Zango 0, com o objectivo de ouvir as principais preocupações da comunidade e apresentar soluções para as contra-ordenações administrativas existentes na centralidade.

O encontro contou com a presença dos Administradores Adjuntos, do Secretário-Geral, Directores Municipais, do Comandante Municipal da Polícia e do Delegado do SINSE.

A reunião teve como único ponto da agenda a apresentação das problemáticas e irregularidades administrativas registadas na Urbanização Vida Pacífica, com destaque para a ocupação desordenada de terrenos, a falta de serviços sociais básicos e questões de segurança pública.

Durante a sua intervenção, Francisco Tchipilica explicou que a actividade enquadra-se no programa de acompanhamento permanente da Administração Municipal junto das comissões de moradores, sublinhando que a Vida Pacífica foi escolhida por se encontrar numa zona fronteiriça com o município de Viana.

“Achámos que deveríamos começar por aqui para perceber o que se passa no interior da urbanização. Um dos principais problemas levantados tem a ver com a ocupação de terras. Vamos reorganizar a estrutura existente, identificar os terrenos já atribuídos e quem são os seus detentores, no sentido de padronizar os serviços e o tipo de edificações que devem existir na Vida Pacífica”, afirmou.

O administrador manifestou preocupação com a construção de edifícios que não se enquadram no padrão urbanístico da centralidade e garantiu que a administração decidiu, em concertação com os moradores, alinhar o tipo de estruturas que poderão ser erguidas nos terrenos atribuídos.

No domínio social, Francisco Tchipilica reconheceu a carência de serviços essenciais, sobretudo na área da saúde e educação. Informou que existe uma infra-estrutura pertencente à Administração Municipal que poderá ser adaptada para a instalação de um posto de saúde e orientou a Direcção Municipal da Saúde a trabalhar nesse sentido.

Quanto à educação, referiu que as duas escolas existentes são insuficientes para atender a população local, estimada em cerca de seis mil habitantes, tendo garantido esforços para a mobilização de recursos que permitam a construção de mais uma ou duas escolas primárias.

No final do encontro, os moradores manifestaram satisfação com a iniciativa. Adriano Baião Adão Pedro, residente da Vida Pacífica há mais de 16 anos, denunciou a falta de serviços bancários e alegadas práticas irregulares envolvendo indivíduos que se apresentam como ligados à Administração Municipal.

“Não temos banco, não temos praticamente nada. Para levantar dinheiro temos de atravessar para Viana. Há pessoas que aparecem de madrugada a construir em terrenos e dizem que é ordem da administração. Isso cria conflitos e revolta entre os moradores”, afirmou, defendendo a demolição de obras e estabelecimentos sem documentação legal.

Por sua vez, o Presidente da Comissão de Moradores da Urbanização Vida Pacífica, Herculano Mutambi, destacou como principais preocupações da comunidade a segurança pública, o saneamento básico, o aproveitamento adequado dos espaços disponíveis, a ausência de um centro médico e a falta de serviços bancários e de lazer.

“Temos uma população estimada em seis mil habitantes completamente desassistida. Não temos centro médico, nem serviços bancários, e a comunidade é obrigada a deslocar-se para Viana ou para o interior do Zango”, sublinhou.

Sobre as acusações dirigidas a alguns membros da área técnica da Administração Municipal, Francisco Tchipilica afirmou que as denúncias são compreensíveis e garantiu que não serão ignoradas.

“A administração é um órgão consciente. Houve casos em que terrenos foram atribuídos a uns e outros não, o que gera descontentamento. Não vamos descartar as denúncias. Vamos trabalhar com mais profundidade para identificar a origem dos problemas e responsabilizar os prevaricadores, caso se confirme”, assegurou.

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