Uso do púlpito para ataques afasta Escuteiros Católicos das missas

Uso do púlpito para ataques afasta Escuteiros Católicos das missas

A onda de ataques no púlpito e nas homilias, alguns deles pessoais, de alguns Padres e Bispos a escuteiros católicos que decidiram permanecer na Associação de Escuteiros de Angola – AEA – tem sido um factor desmotivador para estes cumprirem o dever de participar na Missa dominical.

Por: Celso Malavoloneke

“Não quero ir à Missa para o Sr. Padre nos xingar na homilia à frente de toda a gente” dizem. O maior exemplo disso foi do Bispo D. Belmiro que, numa homilia amplamente divulgada nas redes sociais, destratou pelo nome vários Dirigentes Escuteiros e chamou nomes inapropriados aos encarregados de educação que não “forçaram” os educandos a abandonara sua Associação. Para além dos insultos que, volta e meia, o referido Bispo brinda a um ou outro Dirigente no seu mural das redes sociais (eu mesmo já fui xingado lá).

O “divórcio” é agravado pelo facto que, os escuteiros católicos que não aderiram a uma Associação de Escuteiros Católicos apressadamente criada em Dezembro do ano passado, não podem ser padrinhos, fazer leituras na Missa, ou pertencer a qualquer movimento da Igreja Católica como grupo coral, movimentos juvenis, etc. Não é claro quem orientou isso, embora fontes apontem para o Bispo de Cabinda e responsável pelo acompanhamento do escutismo na CEAST.

Muitos Bispos no entanto negam essa prática por, segundo eles, carecer de suficiente justificação canónica e não estarem convencidos da prudência das medidas em termos pastorais. Afinal, trata-se do maior movimento que congrega mais jovens na própria Igreja Católica.

Os Padres foram proibidas de prestar assistência espiritual aos escuteiros católicos que não estão nos recintos das Paróquias – mais uma vez, não é claro por orientação de quem. Como resultado, estes recorrem aos Pastores de outras igrejas que celebram as cerimónias religiosas oficiais da AEA. Isso, aliado ao afastamento a que estes jovens estão sujeitos, pode encorajar um êxodo deles da Igreja Católica para outras.

Recorde-se que em Julho de 2025, a CEAST retirou em Decreto os Escuteiros Católicos da Associação de Escuteiros de Angola,
alegadamente para preservar a sua identidade num Escutismo multidenominacional. Fontes ligadas à AEA sustentam porém que a separação foi instigada por um grupo de Dirigentes Católicos desafectos com a direcção central do escutismo em Angola e que arregimentaram o Bispo responsável na CEAST e este por sua vez convenceu os outros. “Não foi por causa da preservação da identidade católica; foi pelo poder e controlo do escutismo em Angola” dizem.

A grande maioria dos escuteiros católicos preferiu permanecer na AEA, ressalvados pelo Código do Direito Canónico da Igreja Católica que permite aos seus fiéis, o direito de serem membros de associações não eclesiais. Isso, entretanto, está a ser visto como desobediência e, em consequência, punido. Não obstante os próprios Bispos terem dado a cada escuteiro católico a liberdade de escolha, aliás em alinhamento com o Direito Canónico que governa a Igreja Católica.

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Manuel Tchimoneca

Quem viver verá!

Falamos tanto sobre isso!

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