TAAG abandona plano de privatização e foca em consolidação com apoio do Estado
Em pronunciamento durante a Assembleia Geral Anual da Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA), realizada entre 30 de Novembro e 2 de Dezembro em Luanda, o CEO da TAAG Angola Airlines, Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira, anunciou que o plano de privatização da companhia, amplamente discutido nos últimos anos, foi retirado da agenda do governo angolano.
A nova estratégia prioriza a gestão, estabilização e fortalecimento da competitividade da empresa por meio de parcerias, em vez de uma privatização de curto prazo.
Rodrigues de Oliveira destacou o papel fundamental das companhias aéreas nacionais como instrumentos de conectividade e serviço público, essenciais para a ligação entre o Estado e seus cidadãos, especialmente em rotas internacionais.
Este enfoque justifica a importância dada pelas autoridades à consolidação da TAAG, que em 2025 recebeu sete novas aeronaves, dois Boeing 787-9, dois Boeing 787-10 e três Airbus A220-300, como parte do processo de modernização progressiva da frota.
A TAAG está implementando um plano de negócios elaborado pela Lufthansa Consulting e conta com o apoio da Ethiopian Airlines para a manutenção da frota e o desenvolvimento das equipes técnicas, reforçando a capacidade operacional da companhia.
Essa posição difere das declarações de 2022, quando o governo angolano havia anunciado a possibilidade de privatizar a TAAG até 2025 dentro do programa de privatização de activos estatais (PROPRIV), apoiado por instituições financeiras internacionais, com o objetivo de reduzir a participação pública em setores estratégicos.
Desde 2018, quando o presidente João Lourenço assinou o decreto que transformou a TAAG em sociedade anônima, o processo previa a entrada de um ou mais parceiros aéreos estrangeiros como investidores técnicos, com o Estado mantendo a maioria acionária e uma parte reservada aos funcionários da empresa.
Rodrigues de Oliveira reforçou que a TAAG mantém uma estratégia voltada para a eficiência operacional e expansão da malha, buscando fortalecer a conectividade regional e intercontinental por meio de acordos de cooperação e compartilhamento de códigos com parceiros na África, Europa e Américas.
O CEO também destacou o papel do novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, com capacidade para 15 milhões de passageiros e 130 mil toneladas de carga anuais, recentemente inaugurado e que será a base estratégica para as operações de passageiros e carga da companhia, contribuindo para a melhoria do desempenho e ampliação da rede.
A TAAG Angola Airlines é 100% estatal e opera uma malha doméstica, regional e intercontinental, conectando Angola à Europa, América do Sul e outras regiões africanas.
No âmbito regional, a companhia analisa oportunidades na África Ocidental e Central, especialmente em países francófonos e lusófonos. Internacionalmente, avalia a abertura de novas rotas de longa distância, com China e Índia como mercados prioritários, além de estudar conexões adicionais para Europa e Américas.
No segmento de carga, o transporte regular já inclui diversos hubs africanos, com planos de expansão para outras capitais regionais, alinhados à estratégia de desenvolvimento do hub de Luanda.




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