Secretário do PHA renuncia militância por falsas promessas e violação dos princípios democráticos

Secretário do PHA renuncia militância por falsas promessas e violação dos princípios democráticos

O secretário provincial do Partido Humanista de Angola (PHA), em Malanje, Marcos José, renunciou, quinta-feira, à militância ao partido e ao cargo que vinha exercendo desde 2017, por alegada falta de seriedade, falsas promessas e violação dos princípios democráticos.

Em declaração à imprensa, o político fez saber que precisa trabalhar com pessoas sérias. “Aceitei o convite de estar à frente do partido na província porque estava confiante dos seus objectivos quando fomos chamados a aderir ao projecto, mas o que constatei é que o partido padece de humanismo e na prática não se faz sentir que se possa atingir esse propósito”, explicou.

O Partido Humanista de Angola, referiu Marcos José, foi criado com a finalidade de dar atenção à humanização, promover e combater as desigualdades entre os angolanos, com foco para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

“Mas a liderança do partido não tem demonstrado seriedade, tanto com os militantes, como com as populações que diz defender. Devemos ser mais sérios, não apenas usar a falácia, têm de materializar as acções projectadas”, reforçou.

O político, de 40 anos, deplorou a falta de princípios e de democracia interna, acrescentando que o autoritarismo reina no partido liderado por Bela Malaquias, daí não haver clima para continuar naquela organização partidária.

O partido liderado por Florbela Malaquias, que elegeu dois deputados nas últimas eleições gerais de Angola, em 2022, tem atravessado alguma tensão interna | DR

O secretário demissionário revelou que várias vezes tentou contactar a presidente do partido para falar sobre o assunto, mas os esforços redundaram em fracasso. “Bela Malaquias tem demonstrado muita arrogância e falta de interesse em juntar os militantes, não tem sido fácil lidar com ela. A minha renúncia é justa, pois o partido não cumpre com as promessas”, ressaltou.

O partido liderado por Florbela Malaquias, que elegeu dois deputados nas últimas eleições gerais de Angola, em 2022, tem atravessado alguma tensão interna, que originou em agosto passado a destituição da sua presidente numa deliberação da comissão política do PHA, por alegada gestão danosa, violação dos estatutos e apropriação de bens desta organização política.

Na altura, em declarações à Lusa, Florbela Malaquias considerou que a decisão constituía uma “manipulação de descontentes que querem à força assumir a presidência do partido” quando está a ser preparada a convenção nacional.

“Estamos num tempo em que as ‘fake news’ quase que regem o mundo e a sociedade e, então, é isso a que estamos a assistir.

Só se pode falar em gestão danosa com provas concretas, eles não estão dentro do partido, não têm a palavra sobre a gestão”, argumentou ainda a líder política.

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