Por que é que os Padres não casam?
Por que os Padres não se casam, a Bíblia diz: “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne.”? (Mt 19, 5)
Por: Paulo Viana
A primeira resposta nos vem do Apóstolo Paulo: “Quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular; uns este, outros aquele.” (1 Cor 7, 7). Mais adiante ele vai dizer: “o solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa”. (7, 32-33). Portanto, não é que o padre não casa; o padre se consagra totalmente ao reino de Deus. Um homem casado não vai se dedicar totalmente às coisas de Deus como um solteiro. Com todo respeito, mas um pastor não tem a dedicação que um padre tem. A primeira preocupação do pastor é a família, a mulher e os filhos. Entre levar o filho ao hospital e ir ao culto, qual será a prioridade? O padre não tem um lugar fixo, terá de levar sempre consigo a família?
Em segundo lugar, vale dizer que não é em toda Igreja que o Padre não casa. A Igreja Católica é, por assim dizer, dividida em várias tradições. Ou seja, em seis ritos; perfazendo um total de 23 Igrejas, e todas reconhecem o primado do Papa. Temos: a Igreja Meuquita, Maronita, Copta, Armena, Malaba, Malanca, Etíope, Caldaica etc. nessas igrejas os padres podem casar. Mas tem de casar antes de se ordenarem, depois de ordenado ninguém casa.
Portanto, nós do rito latino, a Igreja latina, o padre não se casa por três razões:
1. Cristológica: O Padre é configurado a Cristo Cabeça e Esposo da Igreja. Como Cristo não se casou, o Padre também não casa.
2. Eclesiológica: O Padre vive o seu ministério com essa mística de ser o Esposo da Igreja. O Padre casa com a Igreja, ou seja, se consagra a Deus. Por esta razão, só o homem pode ser padre, porque ele faz a vez do Cristo Esposo, a esposa é a Igreja.
3. Escatológica: O Padre vive já aqui na terra o que todos nós viveremos no Céu. Quer dizer, é uma antecipação da Parusia. Disse Jesus: “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como anjos de Deus no céu” (Mt 22, 30)
2. O que há de comum entre nós católicos do rito latino e católicos de outos ritos?
1) Todos reconhecem o primado do Papa;
2) Os bispos não se casam;
3) Os diáconos podem casar (os diáconos permanentes), mas se ficar viúvo já não pode voltar a casar.
3. Há muitos escândalos na Igreja. Não será melhor abolir o celibato e todos os padres casarem, visto que alguns não cumprem o celibato?
A resolução não passa em abolir o celibato. Se continuarmos a olhar o celibato como uma lei e não como um dom de Deus, então continuaremos a pensar em abolir o celibato.
Ora, alegar que se anule o celibato devido a queda de alguns, é uma irracionalidade. O mesmo seria pedir que se anule o Matrimônio, já que nem todos casados são fiéis um ao outro. Quer o celibatário quer o casado, ambos são chamados a viver à castidade. Porque ” todos fiéis de qualquer estado ou condição são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (LG nº 40).
Há quem diga que ser celibatário é lutar contra a natureza, é impossível o homem viver sem mulher. Negativo! O Celibato é um dom e sendo um dom, Deus não nos dá algo que nós não conseguiríamos suportar. É verdade que natureza manda, mas o homem pode disciplinar os seus impulsos… “ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar por elas e torna-se infeliz” (Eclo 1,22). Ser Padre não significa ser melhor e mais perfeito do que o resto dos cristãos leigos. Diz o Pe. Dr. António Prieto “o homem celibatário consagrado continua a ser um pecador e capaz de manchar a sua castidade e de profanar o seu celibato”. De igual modo o homem casado.
4. Ser celibatário é melhor que ser casado?
Negativo! Jesus constituiu dois tipos de discipulados, duas maneiras de viver o seu seguimento: no Matrimônio e no Celibato. Ou seja, aqueles que seguem Jesus por meio da família e aqueles que deixaram tudo para seguirem Jesus mais de perto. “Eis que deixamos tudo e te seguimos” (Mt 19, 27). O Celibato, assim como o Matrimônio, é uma opção de VIDA e é, sobretudo, um dom gratuito de Deus. “Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado” (Mt 19, 11). Diz o Dr. António Prieto: “o Celibato e o Matrimônio são duas formas de viver a realidade sexual que necessitam e requerem uma educação e preparação da pessoa para que cada uma destas formas de viver sejam positivas, mesmo contando com a graça de Deus”.
Tanto o que optou pelo Celibato, como aquele que optou pelo matrimônio, não estão imunes ao Pecado, a queda. Fidelidade ao Celibato e ao Matrimônio, é um dom que deve ser pedido constantemente mediante a oração, como nos recomenda o Apóstolo Paulo: “Orai sem cessar”. (1 Tes 5, 17)
Acredito que ninguém se ordena, e ninguém se casa para ser infiel. Por isso, se conhecemos alguém que por queda falhou ao seu compromisso, a nossa atitude não deve ser de juízes; como diz São Tiago: “Mas quem és tu para julgar o próximo?” (4,12). A nossa atitude deve ser de homens e mulheres revestidos de caridade. “A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13, 10)
Portanto, rezemos para que os nossos padres não troquem o altar por uma cama. E, nem os casados troquem a casa por um hotel.




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