Poly Rocha: O Rei do Carnaval de Luanda do Século XXI

Poly Rocha: O Rei do Carnaval de Luanda do Século XXI

No coração da mais recente edição da grande festa da capital, há um nome que se impõe com naturalidade: Poly da Rocha.

Por: Raimundo Salvador

Líder do União Recreativo do Kilamba, vencedor das quatro últimas edições do Carnaval de Luanda, afirma-se como a maior figura do Carnaval de Luanda no século XXI, não apenas pelo título conquistado, mas pela visão estética, capacidade de mobilização e competência de gestão que tem demonstrado.

O Carnaval, é verdade, chegou até nós como herança do período colonial português. Foi uma das raras notas luminosas de um encontro historicamente doloroso. Mas como quase tudo o que toca o génio criador angolano, não ficou intacto. Foi apropriado, recriado, africanizado. Carlos Lamartine situa o ano de 1874 como o marco do início efectivo dessa absorção pelos locais, processo que se consolidaria na década de 1930, quando os bairros de Luanda passaram a dar ao entrudo importado uma pulsação própria, feita de semba, cabecinha, kazucuta, crítica social e afirmação identitária.

Hoje, 150 anos depois desse movimento inaugural, Poly Poly da Rocha emerge como o verdadeiro rei de uma nova etapa: a da renovação estética e organizativa do Carnaval de Luanda. O que ele lidera no coração do Rangel, município materno de algumas das mais simbolicas expressões artísticas de Luanda, é um projecto cultural estruturado, rigor na preparação, criatividade nos enredos, investimento na indumentária e disciplina na execução.

A sua força brota de uma das mais nobres linhagens da cultura popular luandense. É Neto de uma antiga Rainha do União Mundo da Ilha, sobrinho-neto do grande Rodolfo Kituxi. O seu avô paterno, Raúl Nogueira Rocha, abriu uma filial do União Cidralia no Lobito.

É essa herança, combinada com uma visão contemporânea, que faz dele mais do que um dirigente vitorioso. Num tempo em que tantas manifestações culturais lutam por organização, financiamento e reconhecimento, Poly Rocha demonstra que é possível elevar o Carnaval a um patamar de excelência sem lhe retirar a alma popular.
Se o século XX teve as suas figuras míticas, o século XXI tem, no União Recreativo do Kilamba, um rosto que sintetiza tradição, gestão e modernidade. E esse rosto chama-se Poly Poly da Rocha.

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