Crónicas de um Invejoso: O enigma de uma nomeação

Crónicas de um Invejoso: O enigma de uma nomeação

Querido e gentil leitor, este velho que há dezenas de luas não vos presenteava com algum escrito, decidiu, por fim, dar-se a ousadia de se mostrar, ainda que sob uma aura de inquietação. E, como sempre, é sobre um assunto algo peculiar que me proponho dissertar.

Por: Lord Ferreira Caxindêle*

Nos tempos antigos, no palácio da presidência do nosso lindo e pretensioso presidente, João Lourenço, cogitava-se com grande fervor o nome de Narciso Benedito para ocupar o cargo de Ministro da Educação. Mas eis que, para grande surpresa — ou será apenas mais uma peça no tabuleiro político? — o nome de Érika, uma marketeira e propagandista de formação e gema, surge como o escolhido. E é aqui, meu caro leitor, que se erguem as perguntas — será este o fortalecimento da educação que o senhor presidente almeja, ou uma mera estratégia, uma narrativa pre-eleitoral em busca de apoio popular?

Este velho, com a pele já marcada pelo tempo e a alma cansada, confessa que a imprevisibilidade de João Lourenço, como sempre, o deixou de queixo caído. E não me refiro aqui à surpresa positiva, como se algum vislumbre de optimismo tivesse tomado conta deste pobre espírito; mas sim à constatação amarga de que o bem-estar do povo, este sim, continua sendo secundário nas mãos do iluminado líder angolano.

Meus queridos, por agora, resta-nos aguardar o desenrolar dessa longa caminhada de Narciso Benedito nas terras do nosso amado Cuanza-Sul. Correm, aliás, rumores de que este cavalheiro tem, aos poucos, conquistado a simpatia entre as massas de um povo, por vezes conformado. Narciso, ao que parece, recusa-se a ser bajulado, e em seu lugar, alinha-se a uma política de meia verdade, meia transparência, mas, ao menos, com alguma entrega visível. Até onde o “Damásio” irá chegar, eis a questão. Mas como sempre, este velho que vos escreve deseja o sucesso de todos, mesmo com o peso da pseudo-inveja que ronda as palavras.

Como de costume, peço-vos, estimado leitor, que leiam meus escritos com coração brando e mente aberta, receptiva ao sentido crítico que paira sobre cada linha. Pois, não há mal algum em debater de forma irônica aquilo que é sério, e, por que não, acordar o deboche que, no fim, também desperta as consciências.

Com grande e elevada estima,

*In Kuanza-Sul News

Post Comment