Moçambique: Mais de 1800 mortos em dois meses de greve no sector da saúde

Moçambique: Mais de 1800 mortos em dois meses de greve no sector da saúde

A greve no sector da saúde em Moçambique já terá provocado mais de 1800 mortes em apenas dois meses, revelou a Associação dos Profissionais da Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que decidiu prolongar a paralisação por mais 30 dias.

Os dados foram revelados em conferência de imprensa realizada em Maputo pelo presidente da Associação dos Profissionais da Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que anunciou igualmente o prolongamento da paralisação por mais 30 dias, a contar desta segunda-feira.

De acordo com o presidente da associação, Anselmo Muchave, os números reflectem o impacto dramático da greve no sistema nacional de saúde, marcado por sucessivas mortes durante este período.

Segundo o dirigente, cerca de 1862 pessoas morreram devido à escassez de medicamentos, à falta de assistência médica, à inexistência de combustíveis para a transferência de doentes e também à carência de material de protecção para os profissionais de saúde.

Anselmo Muchave lamentou profundamente a situação e sublinhou que a luta da associação ultrapassa as reivindicações salariais ou interesses corporativos.

Moçambique: Mais de 1800 mortos em dois meses de greve no sector da saúde | DR

“A luta por um sistema nacional de saúde digno vai muito além de questões salariais ou de interesses corporativos. Trata-se de defender condições mínimas para que os profissionais possam prestar cuidados de saúde à população”, afirmou.

Face à ausência de soluções concretas para os problemas apresentados, a APSUSM anunciou a continuação da greve por mais trinta dias.

Segundo Anselmo Muchave, a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa da situação.

“Esta decisão não foi tomada de forma leviana. Trata-se de uma decisão ponderada, baseada na responsabilidade que temos para com os profissionais da saúde e para com o povo moçambicano. A greve continua a ser um instrumento legítimo de reivindicação perante a falta de soluções estruturais para os problemas que afectam o sector nacional de saúde”, declarou.

Entretanto, o presidente da APSUSM acusou o ministro da Saúde, Ussene Isse, de divulgar informações falsas sobre a alegada disponibilidade de medicamentos no sistema nacional de saúde.

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